sexta-feira, 25 de março de 2016

Dia do Pai

Quem é Pai (ou mãe) sabe que não é possível quantificar em Euros o valor das prendas que nos filhos nos dão, sejam elas compradas ou, melhor ainda, feitas por eles.
Como sou Pai (babado) de duas lindíssimas meninas, e a mais nova entrou recentemente no infantário, este ano tive direito a duas prendas, e que prendas, confesso que fiquei eufórico quando as recebi. O dia do Pai para mim, veio substituir a excitação natalícia que sentia enquanto criança, a espera do dia a pensar o que será??? e nem me importo que as miúdas tenham feito com ajuda de adultos, ou no caso da mais nova que os adultos tenham feito por ela.
Se me perguntarem o caminho para a felicidade é simples a resposta: Tenham filhos!!! É verdade que a vida muda completamente, existirão noites sem dormir, birras por tudo e por nada, e o sossego em casa....puff..desaparece. Mas também desaparece o mau-humor, por mais terrível que tenha sido o dia, ao chegar uma casa com crianças é impossível não rir e ficar alegre. Depois há muito mais, as conquistas deles (seja dar o primeiro passo, salto ou a primeira palavra), todo um mundo novo e maravilhoso à descoberta cada dia...
Este post é inteiramente dedicado às minhas filhas e à minha esposa, porque ela também é parte ativa no processo..eheh)

Fica aqui a foto das prendas, com a familia em segundo plano..

segunda-feira, 14 de março de 2016

como o Exterminador...I'm Back

Passados 9 anos, desde a criação deste blog (na altura não existiam blogues ao desbarato como actualmente), e eu resolvi criar 1 blog...mas em vez disso criei 3 (entretanto já encerrados)e ficou este no esquecimento da blogosfera, até hoje. Resolvi reavivar o "meu menino", por várias razões:
 1-sei que ninguém terá interesse em ler o que aqui vou escrever, textos pessoais, artigos de opinião, artigos do meu interesse profissional, social e politico..
 2-escrever já eu faço há muito, no entanto tenho tudo "desarrumado" em discos rigidos, pens e cartões de memória, enquanto aqui fica tudo no mesmo local sem ter de andar a fazer backup de nada.
3-é bom poder escrever online, sem ser em redes socais...ehehe e muitas mais...que agora não me lembro (devo sofrer do síndrome da geringonça...)
 Amigos e amigas,
Um abraço,
Luis Viana

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

TRIBUTO AO AMOR

Há coisas que não são para se perceberem.
Esta é uma delas.

Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do quese segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza.
Serei muito claro.
Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de “telefoneiros” e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de cafés, alcançadores de compromissos, borra-botas, matadores do romance.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

*O amor é uma coisa, a vida é outra.*

O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

*Amor é amor.*

É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

*O amor é uma coisa, a vida é outra.*

A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.

*O amor não se percebe*.

Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.

A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.

*Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. *

*E valê-la também."